MIMEM-ME!
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Eu falo besteira com muita autoridade. Num momento bem ficcional.
bestas que fiz:

o tatibitate da construção
Você olhando assim, de longe, qualquer um se faz normal
desenvolvida na/para a fantasticamente imbecil aula de catequese empoada com nomes bonitos da filosofia antropológica ou temas da cultura contemporânea, com o mote "relacione um dos textos da apostila em relação a uma experiência pessoal":
hoje acordei às três e meia da manhã, ou quatro, não sei bem, algo perto disso, com pensamentos estranhos, confusos, entremeados por ruídos da rua, que poderia ser a mais silenciosa de são paulo, mas não é, que cresciam e misturavam-se com outro, mais próximo, algo leve tamborilando no taco do chão, titilando, até a hora que parou com um baque sutil. quitéria? nesse momento os olhos se escancaram e não tinha mais jeito, eu peguei o celular para ver as horas, maltratando minhas pupilas e as dela também, deitada no meio das minhas roupas, ela bem sabe que odeio. apesar da preocupação em voltar a dormir pelo menos uns sessenta ou cento e vinte minutos, algo de fora começa a criar um padrão sonoro desconcertante, um ritmo alternado de batidas fortes, surdas, que diminui lentamente dando espaço a outro, suave, amelódico, som de sinos de praia, que diminui lentamente dando espaço às batidas surdas, fortes, que diminui lentamente, dando espaço ao outro, suave, xilofônico e às quatro e meia da manhã já quase perdia a cabeça, o controle, fui então para a sala tentar continuar um dos trabalhos monstro de fim de semestre, mas já tinha acordado também a gata desde a hora que a expulsei do quarto com luz fluorescente de telefone móvel que, num ato de vingança, não me deixava tocar numa régua, numa lapiseira, numa borracha, numa folha de papel sem querer sentar seu enorme traseiro em cima ou mordê-los. então, mal-humorada, tonta, com dor de cabeça, decidi tentar as horinhas de sono a mais no sofá da sala, assistindo michel gondry, meu mais novo antigo amor, o que falhou por me atrair muito o interesse, então desliguei a tevê e virei para o lado, com solidão, angústia, culpas e mais culpas girando, palpitando atrás das pálpebras, doendo no peito, no cérebro, embaixo dos braços, na palma dos pés, até que, enquanto o sol nascia, a luz diminuía e eu entrei num mundo fantástico por quatro horas.